O tempo como material, não como limite.
Um método de projeto inspirado nas filosofias estéticas, arquiteturas e paisagens do leste e do sudeste asiático, desenvolvido em pesquisa acadêmica e olhar cultural aprofundado.
Lo-Tempo não é um estilo
A arquitetura, em sua maior parte, trata o tempo como adversário: materiais que envelhecem mal, espaços fotografáveis no dia da entrega, algo que pensa apenas em um instante, e não no que ele pode se tornar. Lo-Tempo propõe outra coisa.
Pensar o tempo como material significa desenhar para além do presente: escolher madeiras que escurecem bem, pedras que ganham mancha, jardins que crescem para dentro do projeto; e para quem os pediu: as diferentes versões de si que esse lugar vai acomodar ao longo do tempo. Significa também desenhar para a presença: o intervalo, o silêncio, o dueto entre luz e sombra. Compreender a existência de uma obra como um marco vivo, um lugar que não é apenas uma casca para sediar a vida, mas que vai proporcionar o encantamento pelas menores partes do dia, como a luz que atravessa a bruma do manhã, o aroma de uma cafeteria no meio da tarde, os reflexos borrados de um jardim no início da noite.
Um espaço que recebe o tempo em vez de combatê-lo.
Nosso olhar não é sobre projetar algo rotulado com os estereótipos de uma identidade nacional e abrangente: é para um universo muito mais microscópico e individual, de cada pessoa que nos busca para geminar um espaço, com o lugar onde vive, sua cultura e especificidades, e a partir daí, transpomos de maneira harmoniosa esses espaços que transbordam a conversa entre interno e externo, cidade, edificação e indivíduo.
Para isso, buscamos por referências cuja estética se tornou filosofia e modo de vida; onde a resposta ao ambiente se tornou cultura visual, a interação com a natureza se tornou princípio, e raízes foram definidas. A pesquisa que originou o método olha para lugares como sukiya-zukuri, para a casa coreana hanok, para a nhà 3 gian vietnamita, a arquitetura vernacular do Leste e Sudeste Asiático*, e para como essas tradições se traduzem no espaço contemporâneo — não como repertório visual a copiar, mas como uma escola de atenção. O que esses lugares ensinam é como deixar o tempo entrar.
Cada projeto Aruku começa por aí: o que esse lugar já guarda? A árvore que estava antes. A vizinha que passa às seis. O barulho da chuva na varanda. O que pode ser visto e sentido. O briefing vem depois.

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